O conceito do Caminho a Machu Picchu – Além de turismo e trilha

Ninguém melhor do que você para saber suas limitações físicas, intelectuais ou dos seus sentimentos.

Sob essa afirmação criamos o Caminho a Machu Picchu (CaM). O CaM foi idealizado para ser uma jornada de superação pessoal de todos os participantes imersos numa das culturas mais organizadas e avançadas, no que tange a empreendedorismo, construção, organização, trabalho e espírito cooperativo: a inca.

Ao longo da empreitada trabalhamos todos esses conceitos com cada participante, desafiando-o para que ele mesmo pudesse superar suas limitações e temores.

  • Quais são seus maiores medos?
  • De que tamanho é sua coragem?
  • Qual é sua capacidade criativa e inovadora?
  • Como gerir recursos escassos?
  • Como trabalhar em equipe?
  • O quê aprender da cultura inca?
  • Qual é o seu grau de empreendedorismo?

São, dentre outras, as perguntas que trabalhamos com os componentes de cada jornada.

O CaM foi idealizado para ser algo não convencional, um acontecimento que marcar vidas.

Durante a jornada, nenhum dia é igual a outro.

Nossos corpos lutam contra a altitude, frio, neve, chuva, cansaço, terrenos irregulares etc.

O CaM é um encontro com as origens humanas, uma simbiose com a cultura e a natureza peruana, uma fusão com o que há de melhor de cada pessoa com o meio-ambiente e o povo peruano.

A maior motivação da Amauta, como empresa especialista em Economia Criativa, é poder ajudar pessoas a utilizar todos seus recursos físicos e mentais para transpor limites.

O CaM não é turismo básico, é turismo vivencial!

É uma experiência de vida e de aprendizado; de catarse.

Visitar Cusco e Machu Picchu é grandioso, em qualquer momento, porém, visitar e aprender da cultura inca e, ainda superar seus limites, é sensação de completude.

A equipe

 Idealizar uma jornada num outro país, envolvendo riscos calculados e situações adversas requer muita responsabilidade. Desde o primeiro momento, quando, na Amauta, decidimos empreender por esse tipo de projeto, visamos a segurança. Nossa proximidade com a cultura peruana e o conhecimento do lugar, nos deram motivação suficiente para criar o Caminho a Machu Picchu. No nosso plano, sempre envolvemos parceiros estratégicos com experiência. E assim foi. A estrutura montada deu um atendimento de primeira a todos os participantes da jornada. Ao longo da trilha contamos com um cozinheiro, um ajudante de cozinha, um cuidador de cavalos (foram três equinos que carregaram as barracas, fogão e a estrutura) e um guia. Todos os nossos passos foram monitorados desde o Brasil, Lima e Cusco. Mesmo nos dias que ficamos sem comunicação, a equipe estava preparada para qualquer imprevisto ou emergência.

A nossa parceria com a empresa do Marcos funcionou também em Cusco. Os guias que nos atenderam em Vinicunca e no City Tour foram fantásticos.

Toda a equipe reunida. De esquerda para direita: Jhonatan (ajudante de cozinha), Dan, Robert (cozinheiro),
Jose Luis (Guia), William, Luiz, Mariana e Hugo.

Com a montagem da equipe, reforçamos o conhecimento de que todas as engrenagens devem funcionar em qualquer empresa ou jornada. Basta que uma delas não funcione, o resultado se verá afetado negativamente. Na Amauta sempre falamos que não temos funcionários nem fornecedores, temos parceiros estratégicos. Isso vale tanto para as empresas para as quais prestamos consultorias como para a funcionária do cafezinho. Somos parceiros em tudo e com todos.

No final da jornada, todos viramos amigos, guia, o operador, o cozinheiro e seu ajudante.

O roteiro:

Dividimos a experiência em dois momentos: City Tour e a trilha (5 dias). A priori não pensamos na montanha das sete cores, Vinicunca (Rainbow Mountain), nem nas ruínas de Tipón, nem nas esculturas de Huasao. No roteiro inicial, o foco era o Caminho a Machu Picchu e o City Tour. Até porque tínhamos programado somente sete dias (cinco para a trilha a Machu Picchu e um para conhecer a cidade de Cusco e suas ruínas). No entanto, ao ver a empolgação dos participantes decidimos oferecer a oportunidade de conhecer esses outros lugares como atividades extra. Foi muito bom, porque, quase todos puderam aproveitar essa programação ampliada que foi dividida da seguinte forma:

Dia (-2) – Chegada em Cusco – Preparando os cimentos.

O Amauta Hugo na Catedral de Cusco, recém chegado de Lima.

Chegamos às 6 da manhã na fria cidade de Cusco. Janeiro é uma época de chuvas e é necessário ter uma boa capa de chuva para andar na cidade. Fomos recebidos pelo nosso operador Marcos quem nos conduziu ao simpático hotel Cozy Room Cusco B&B Hospedaje. Lá nos esperava Dan, que tinha chegado um dia antes proveniente de Mallorca, Espanha. Já, pela manhã fomos visitar o Mercado Municipal da cidade. Lá, Hugo e o Dan beberam uma iguaria um tanto esquisita: suco de rã.

Sim, um suco de frutas que tem como ingrediente principal rãs cruas. Os locais dizem que é bom pro cérebro e para as convulsões, além de melhorar a memoria e a força.

Como nosso lema é experiência, provamos e aprovamos o suco.

À tarde chegou o Padre Luiz e, logo depois, a Mariana. O time estava quase completo. Faltava o William que, somente chegaria em dois dias.

A noite de Cusco é linda, as ruas de pedra são pitorescas, fomos andar um pouco  e para a nossa sorte, entramos, quase sem querer num dos melhores restaurantes dessa cidade, o Pachapapa. Toda a comida é feita num forno, inclusive o antepasto e os pãezinhos – que são uma delícia. A carta de vinho é boa. Dica: peça um Intipalka, vinho peruano, não vai se arrepender.  Voltamos para o hotel com toda a felicidade que um bom vinho pode propiciar.

No restaurante Pachapapa.

No dia seguinte nos esperaria o Vinicunca, com saída programada às 4h30 da madrugada.

Dia (– 1) – O Vinicunca (Rainbow Mountain) e sua timidez para nos obrigar a voltar.

No alto dos 5.200 metros sob o nível do mar, onde o ar é raro, onde o vento assopra forte e a chuva e neve cortam o rosto como pequenas facas, Dan (de capa verde), Hugo e Mariana, esperando a montanha se mostrar.

Saímos do hotel às 4h30 da madrugada, o Marcos, nosso operador, fez questão de nos acompanhar para nos conhecer melhor. Ele nos explicou que, de van iriamos até o distrito de Pitumarca, antes tomaríamos um café reforçado, como todo peruano gosta de tomar, até com sopa.

Chegando ao distrito, teríamos que pegar os bastões de caminhada (sempre leve dois, ajudam muito no equilíbrio) e andaríamos por, aproximadamente, 2 horas até a montanha.

O trekking até a montanha de sete cores é quase plano, até chegar ao pé da montanha. Uma caminhada a mais de cinco mil metros sob o nível do mar. A falta de oxigênio e a potencialização do cansaço, são evidentes.

Há também a opção de ir a cavalo até ao pé da montanha, essa travessia custa em torno de US$ 35,00 e incentiva positivamente a economia dos moradores do lugar.

Para quem não tem muito preparo físico ou sofre muito dos males da altitude é uma opção excelente.

O padre Luiz com seu cavalo poderoso, chegou bem antes do que todos.

O Vinicunca se encontra na Cordilheira do Vilcanota, 5,2 mil metros acima do nível do mar, no distrito de Pitumarca. A montanha é decorada por franjas em tons intensos de fúcsia, turquesa, roxo e dourado. Segundo a BBC, as cores têm uma explicação científica:

– Rosa ou fúcsia: mescla de argila vermelha, lama e areia.

– Branco: arenito (areia de quartzo) e calcário.

– Roxo ou lavanda: marga (mistura de argila e carbonato de cálcio) e silicatos. – Vermelho: argilitos e argilas.

– Verde: argilas ricas em minerais ferromagnesianos (mistura de ferro e magnésio) e óxido de cobre. – Castanho amarelado, mostarda ou dourado: limonites, arenitos calcários ricos em minerais sulfurosos (combinados com enxofre).

Acontece que nesse dia estava chovendo muito e o nevoeiro era abundante. A montanha toda estava tomada pela “fumaça” branca. Subimos a montanha onde se tiram as melhores fotos e a sensação que tivemos era de estar subindo ao céu. Começou a nevar e a chover, o vento cortava as nossas caras e produzia assobios estranhos quando batia nas pedras. O nosso guia Marcos fez uma prece com folhas de coca. Ele pedia aos apus (deuses das montanhas) que a montanha se mostrasse para nós. Após a prece, por arte do destino, a névoa desapareceu rapidamente e conseguimos fazer essa foto:

Apesar da névoa, a montanha se mostrou um pouquinho para nós!

O desaparecimento das nuvens durou uns dois minutos, tempo suficiente para ver a opulência do Vinicunca.

Por pouco a Mariana conseguiu tirar foto do Vinicunca sem as nuvens.

Voltamos à van com a sensação de meia frustração. Antes, Hugo e Mariana se perderam na trilha de volta e somente foram avisados quando outros turistas perdidos voltavam pela trilha errada. Depois de uns vinte minutos de confusão, encontraram o caminho certo.

A frustação foi parcial porque, um outro lado nosso estava feliz por ter feito uma trilha tão complexa e adversa com sucesso, mesmo que os nossos corpos não tenham passado nunca por essa situação.

Seria isso um aviso do que seria o restante do Caminho a Machu Picchu?

No dia seguinte o William chegaria e completaria assim a nossa equipe.

Antes de terminar os relatos desse dia, fica aqui o registro feito pelo Dan, que voltou ao Vinicunca, depois que todos fomos embora de Cusco, e que ele mandou para nos “vingar”.

Com vocês, o Vinicunca no seu esplendor. O Dan seria a oitava cor da montanha.

Quando o Dan nos mandou suas fotos com o Vinicunca “limpo”, nos sentimos felizes, mas, dentro de nós ficou a vontade de um dia voltar e fazer as fotos que fizeram desse lugar, um ponto turístico obrigatório para quem for para Cusco.

Se tivermos que extrair algum ensinamento com essa ida ao Vinicunca ficaríamos com os conceitos de desafio, resistência, resiliência e de entender que, numa trilha, assim como na vida, o que mais importa é o caminho, o “chegar” é consequência da caminhada.

A seguir, a Jornada irá começar!

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