Dia 1 – Rumo a lagoa mais linda dos andes peruanos: Humantay e seu verde esperança

Nunca uma subida de uma montanha nos trouxe melhor prêmio do que esse visual da lagoa Humantay.

 Fomos acordados às 4 da manhã, a van que iria nos levar a Mollepata estava indo para o nosso hotel.

Já na Van, pensávamos como seria essa trilha. Que surpresas nos depararíamos. O legal de tudo isso é que os nossos guerreiros não tinham a mínima ideia do que iria acontecer.

Na van conhecemos o Robert, cozinheiro, e o Jhonatan, sobrinho e ajudante.

Em Mollepata, o nosso guia Jose Luis nos explicou qual seria a programação do dia. De Mollepata iríamos até Soraypampa, onde teríamos a nossa primeira base de acampamento. Deixaríamos as coisas e de lá subiríamos em direção à Lagoa Humantay.

A lagoa Humantay é linda quando vista nas fotos, a água, cor turquesa que é alimentada por um nevado, parecia a nossa atração do dia. Motivados por isso, depois de uma prece feita pelo Padre Luiz, iniciamos a subida à montanha.

A subida em direção à lagoa dura de uma hora e meia a duas horas. A montanha é um tanto íngreme, mas o que pega mais, talvez sejam os 4 mil metros sob o nível do mar de altitude. Foi a segunda vez que o grupo encarava uma subida, o Vinicunca foi o teste inicial.

Na subida, os bastões ajudavam a manter a estabilidade, mas como cada uma de nós só tinha um, essa estabilidade era parcial. No meio da subida, conhecemos uma senhorinha francesa, muito simpática e decidida a atingir o objetivo. A Françoise foi aquela motivação extra que precisávamos para percorrer os 3,5 km de subida.

Depois de insistirmos a Françoise aceitou um dos bastões do William. Haja vitalidade dessa guerreira.

A Françoise nos mostrou que não há limitações etárias quando alguém está decidido a atingir uma meta. Muito mais ágil que um jovem de 20 anos e sem bastões, Françoise se incorporou ao nosso grupo, deixando o dela para trás. Foi amor à primeira vista.

Duas meninas bonitas, Françoise e Mariana, rumo ao Humantay

Ao longo do caminho, as perguntas para o Joselo, nosso guia: “Quanto falta?” tornavam-se mais corriqueiras. A resposta dele, era muito inteligente e “motivadora”: “estamos na metade ainda”. Sempre era essa resposta e não havia como ficar bravo com ele, porque, na vida, sempre faltará a metade de qualquer coisa. O negócio é saber metade do quê!

Quando não há clareza do que se quer, nenhum vento nos ajudará a navegar, já dizia o poeta. Nós sabíamos, Joselo também, só não queria nos encher de expectativas. Ele estava certo.

Da esquerda para à direita: Hugo, Dan, William, Mariana e Jose Luis, em movimento para a foto.

Quando se faz trekking com pessoas de diferentes áreas, com estado físico diferente, mas com objetivos parecidos, há que se respeitar o ganho ou conquista pessoal de cada um. Para um, andar um km pode ser muito mais desafiador do que para outro que já está acostumado. A conquista para o primeiro pode ser muito maior do que para o segundo, porque ele superou seu próprio limite. Ao longo de todo o Caminho a Machu Picchu, tentamos valorizar cada esforço pessoal. Sem nivelar, sem dizer quem é o melhor em resistência ou quem chegou sem ajuda de nenhum tipo. O que importa é que todos chegamos.

Depois de quase duas horas de subida, alguém disse alto:

Chegamos! Uau! Nossa!

Como estávamos quase chegando no topo da montanha, não entendemos muito esses gritos. Avançamos rápido e, quando avistamos as águas turquesas da lagoa Humantay, não houve outra reação do que pensar em como valeu a pena tanto esforço.

O esplendor da lagoa Humantay. Ao fundo o nevado que não quer se mostrar muito, mas que é vital para esse lago existir.

Para comemorar a nossa conquista, fomos pro lugar mais alto da lagoa e fizemos esse registro.

Essa cara de satisfação de todos, não tem preço!

Ver as lágrimas saindo do Dan e os abraços fortes entre todos foi demais. Isso nunca terá preço.

Sabíamos que o lago era lindo, mas não tínhamos dimensão de como esse lugar poderia superar todas as nossas expectativas. Entre fotos e vídeos, ficamos por mais de uma hora apreciando cada detalhe que parece ter sido colocado a dedo por alguém. A composição da beleza do Humantay é perfeita. O nevado que proporciona água do degelo, a coloração turquesa produto dos minérios que lá estão, a neve, as pedras, as montanhas que cercam essa maravilha e, claro, a companhia de pessoas sentindo arrepios e agradecimento por estar nesse lugar.

Fizemos também uma prece inca para todos nossos entes queridos, especialmente, para a mãe do Roger, nosso sócio, que tinha acabado de falecer.

Sabe quando você faz um baita esforço e vê que esse esforço tem uma recompensa? Pois bem, foi o que sentimos.

A volta ficou muito mais fácil, apesar das pernas bambas e o caminho íngreme, a sensação de dever cumprido amaciava o esforço de retorno.

Chegamos ao acampamento prontos para encarar a nossa primeira noite nos andes peruanos, a 4 mil metros sob o nível do mar. O guia nos disse que essa noite seria fria, porque o céu estava aberto e, quando acontece isso, o frio seria intenso.

Não pensamos duas vezes e fomos à procura de vinho para acalentar o corpo e a alma.

As casas dos Smurfs? Não, são as estruturas onde as nossas barracas foram montadas.

 Ah! Nem pensar em tomar banho viu? O local não tinha chuveiro.

O Joselo nos disse que o próximo dia seria o mais “puxado” da trilha. Nos perguntamos o que ele quis dizer com isso.

Fomos dormir com essa dúvida que logo foi substituída pela sensação de ter visto uma das mais bonitas paisagens das nossas vidas. “O que vier é lucro, pensamos”.

No próximo episódio a nossa jornada: O dia mais puxado da trilha!

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