Dia 4 – Chegamos na Base do objetivo, só faltava subir

Sem palavras para descrever o momento de chegada à cidade de Águas Calientes, base de Machu Picchu.

 Acordamos às 7h, não havia mais motivo para madrugar, nesse dia. Esse dia, o cozinheiro Robert e seu ajudante Jhonatan voltariam para Cusco. Como despedida, o Robert nos serviu um bolo. Bolo feito na panela, porque não tinha forno. Ele nos mostrou como é possível conseguir um objetivo, mesmo que os recursos sejam escassos. Uma baita aula de economia e de como atingir objetivos.

A felicidade do Robert de poder compartilhar aquilo que mais sabe fazer. Aula de humildade e de amor ao próximo. Aqui o bolo feito na panela.

 É necessário registrar uma coisa que nos deixou muito emocionados. Na realidade, esse bolo da foto foi o segundo intento do Robert. Ele, perfeccionista que quer dar o melhor, não desistiu até obter a melhor versão. Quando vimos essa atitude, demos um abraço forte nele e no Jhonatan, agradecendo pelo convívio desses dias de companheirismo e de entrega do melhor que cada um poderia dar.

O plano era chegar em Águas Calientes, cidade base de Machu Picchu. Antes de partir para essa trilha houve uma tentação: fazer uma tirolesa extrema. O que seria exatamente perguntamos para o vendedor desse serviço opcional?

Na realidade, era um programa que levaria a manhã toda e consistiria em realizar seis atividades que incluiriam tirolesas de um quilômetro, atravessar uma ponte suspensa (que nunca acaba) e subir um paredão de uma cascata. Tudo o que precisávamos para aumentar o nível de adrenalina nos nossos corpos.

Topamos fazer e não nos arrependemos. Foram minutos intermináveis pendurados em cabos, com toda a proteção devida, de todas as formas possíveis (deitados, de ponta a cabeça, de costas e como super-homem).

Vale muito a pena fazer essas atividades!

Melhor do que escrever é mostrar isso em fotos.

Equipe unida, sofre junto!

Nesse instante, nem tínhamos ideia do que nos esperava.

Imagina fazer 4 dessas tirolesas, de todas as posições possíveis

Cruzar essa ponte suspensa, para muitos, foi a mais corajosa e inacabável atividade a ser realizada.

E subir esse paredão, então?

Dá para parar no meio?

Dá para olhar para baixo?

Que tal ir como homem aranha?

Com a adrenalina a mil, após essas atividades, fomos para a hidrelétrica por onde iniciaríamos a nossa trilha, rumo a Águas Calientes.

Antes almoçamos e foi a primeira refeição que não foi feita pelos nossos queridos cozinheiros.

Pegar a trilha da hidrelétrica para Águas Calientes significaria andar pelos trilhos do trem. O badalado trem que levava turistas para Machu Picchu. Foram em torno de 3 horas de caminhada, rente aos trilhos com muitas pessoas que iam e vinham. Às vezes, na paisagem aparecia o poderoso rio Urubamba em direção contrária a nós, como querendo nos dizer: “falta pouco, pessoal, falta pouco”.

Prontos para iniciar a nossa trilha pelas linhas do trem.

O trem passava também do nosso lado, dentro dos vagões, turistas empolgados para irem a Machu Picchu.

Na caminhada, um cachorrinho nos acompanhou por uns 30 minutos, apelidamos ele de Salkantay, por ser branco. Depois ele tomou rumo diferente.

Aos poucos o comércio, na trilha, começava aparecer. Senhoras vendendo água, isotônico, cerveja e guloseimas. Já estávamos perto.

Para variar, muita chuva nos acompanhando.

Antes de chegarmos à cidade, nos deparamos com vagões do famoso trem Hiram Bingham, que leva o nome do (re) descobridor de Machu Picchu. Esse é um dos trens mais caros. Custa em torno de 750 dólares e parte de Cusco em direção a Machu Picchu. São dois dias de viagem, com todas as comodidades de um trem padrão “Oriente Express”. Tem shows, compreende uma diária no hotel que está no próprio parque Machu Picchu, o BELMOND SANCTUARY LODGE além de todas as comodidades que alguém, disposto a pagar essa quantia, mereça.

Os vagões do trem que levam os turistas até Machu Picchu.

Depois de 3 horas de trilha avistamos as letras da palavra Machu Picchu na entrada da cidade. Uma emoção ímpar, foi o que sentimos. Estávamos perto de cumprir o nosso objetivo maior. Visitar a cidade sagrada.

As nossas caras de emoção eram evidentes, chegamos em Águas Calientes, uma cidade limpa, bem organizada, com muitos restaurantes e hotéis e pessoas muito bacanas. Estávamos felizes por tudo isso.

A cara de satisfação de estar na base do nosso objetivo.

Fomos para o nosso hotel, deixamos as nossas coisas e fomos explorar a cidade. Jantamos e fomos dormir emocionados, afinal, acordaríamos cedo para subir a cidade sagrada que tanto nos motivou a estar aí.

Nesse dia começamos a sentir um sentimento estranho. Um misto de realização e de tristeza. Realização por estar a alguns passos de chegar a Machu Picchu, tristeza, porque a jornada estava acabando.

No próximo capítulo: O Apu Machu Picchu conquistado pelos Amautas.

Leave a Reply

Your email address will not be published.

catorze − 6 =