Dia 5 – O Apu Machu Picchu conquistado pelos Amautas

Chegou o dia D. Acordamos às 3h30, precisávamos estar bem cedo para entrar no parque de Machu Picchu. A chuva não parava. Durante toda a trilha, nunca tomamos tanta chuva como nesses últimos dois dias. As capas de chuva, se tiveram um preço, elas já pagaram em dobro o valor gasto por elas. Era uma chuva que caia nos nossos corpos como pancadas. Da cabeça aos pés, de lado, de frente de baixo para cima, éramos “bombardeados” pelo líquido elemento. Parecia que o deus Wiracocha queria que entrássemos limpos ao lugar sagrado. Além do parque iríamos subir o pico Huayna Picchu. Todos tínhamos reservado com meses de antecipação os nossos ingressos, já que somente 400 pessoas podem subir por dia.

Como estava chovendo muito, pensávamos que não seria possível subir o Huayna Picchu, mas estávamos enganados. Machu Picchu abre com ou sem chuva.

Quando chegamos na cidadela, antes de entrar, um mix de sensações tomava conta de todos. Como seria? Até que enfim! Será que é tudo isso que se vê nas fotografias?

Entramos em Machu Picchu e, enquanto o guia explicava a estrutura do complexo, todos olhávamos para a montanha imponente. Infelizmente, ela está tampada pelo nevoeiro.

Machu Picchu tímido.

De novo não! Pensávamos, de novo não!

Seria outro Vinicunca? Logo a atração principal?

Joselo, o guia, tentava amenizar, ele dizia: vai ficar limpo, logo logo.

 Enquanto ele explicava, os nossos olhos sempre se fixavam na montanha. A chuva parava, mas depois voltava, não na mesma intensidade da madrugada, mas teimava em nos deixar inseguros com relação à subida ao Huayna Picchu e, principalmente, se ia dar para tirar as fotos tradicionais da cidadela.

Depois de uns 30 minutos, por arte de mágica, a montanha ficou limpa.

Machu Picchu, na sua máxima expressão.

 Comemoramos muito, aproveitamos para tirar todas as fotos possíveis para nossas lembranças eternas. Enquanto olhávamos para a montanha, a sensação de dever cumprido invadia nossas mentes.

Fizemos a foto oficial do grupo com a maior alegria.

Foto da primeira expedição Amauta, Caminho a Machu Picchu em 18 de janeiro de 2019.

 O que dizer de Machu Picchu? Para quem esteve pela quinta vez, sempre tem coisas novas para descobrir, para quem esteve pela primeira vez, a sensação de estar dentro de um livro de história é inevitável. Sem mais nem menos, essa era a montanha, essa era uma das sete maravilhas da humanidade. O melhor de tudo, chegamos com o nosso esforço, sem ser melhor ou pior que ninguém. Fomos recompensados pelo empenho, dedicação e vontade de aprender. Machu Picchu estava dentro de nós e ninguém poderia nos tirar essa sensação.

Percorremos todo o parque, visitamos as instalações feitas com tanto capricho pelos incas. Era uma aula no local de engenharia, inovação, empreendedorismo, resiliência, domínio dos recursos, luta contra a gravidade e simbiose com a natureza. Era respeito a tudo isso.

A emoção do Hugo! Parecia que era a primeira vez que via Machu Picchu, quando na verdade essa visita era sua quinta.

William e a posse do inca sentinela.

Janelas geometricamente perfeitas.

Mariana nas alturas.

Molhado, mas feliz!

 Iniciamos a subida ao Huayna Picchu, era o que faltava. Fizemos checkin e iniciamos o percurso. Mais ou menos uma hora de subida.

Huayna Picchu ou Waynapicchu fica a 2.667 metros sob o nível do mar.

 Caminho íngreme, molhado e, um tanto perigoso, ainda com chuva. Foi assim que encaramos mais esse desafio.

Um cabo de aço para se segurar, pernas fortes para impulsar. A subida tem nível médio de complexidade. Nada que com boa disposição e cuidado, se possa vencer.

 Após uma hora chegamos destino final. Vários outros turistas estavam lá. Observando a imensidão dentre as nuvens. Tínhamos conseguido alcançar o topo.

No topo do Huayna Picchu.

Com chuva, pés molhados e cansados, iniciamos a nossa decida após 15 minutos de reflexão no topo. Voltamos à cidadela e continuamos o percurso. Janeiro é um mês de muitas chuvas, a montanha voltou a ficar tampada pelas nuvens. Uma quantidade maior de turistas começava a entrar no parque, vimos que era hora de voltar para a cidade de Águas Calientes.

Antes de sairmos do parque, a Mariana, deu um abraço por todos nós. Nesse abraço estava a nossa gratidão e respeito por esse povo guerreiro e lutador. Inteligente, inovador e progressista.

Saímos do parque, não sem antes carimbar os nossos passaportes com o selo de Machu Picchu. Era a marca que ficaria no nosso passaporte. A marca nos nossos corações já estava formada desde que entramos na cidadela.

Fomos para Águas Calientes, almoçamos num lugar superbacana: o Índio Feliz, em honra ao nosso amigo Dan, o índio bello.

No bistrô Índio Feliz, em Águas Calientes.

Voltamos para o hotel. Ainda deu tempo de descansar até esperar o trem que nos levaria para Ollantaytambo e, depois, pegaríamos uma van para Cusco.

Antes de embarcar fomos comer umas pizzas e beber uns vinhos. Foi a nossa despedida de Machu Picchu.

A felicidade, o cansaço, o sentimento de dever cumprido e, principalmente, o vinho, nos deixaram alegres.

Já no trem, todos com cara de felicidade.

Chegamos em Ollantaytambo às 23h, pegamos a van e chegamos em Cusco meia-noite. Fomos para o hotel. No dia seguinte ainda teríamos a nossa despedida dessa linda cidade. Faríamos o city tour. A pergunta é, será que teríamos forças para isso?

A seguir: O tour da despedida.

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